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O Braille é um
sistema de leitura tátil e escrita para pessoa cega, que consta da
combinação de seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas de três
pontos. O espaço ocupado pelos seis pontos forma o que se convencionou
chamar "cela Braille". Para facilitar a sua identificação, os pontos são
numerados da seguinte forma: do alto para baixo, coluna da esquerda:
pontos 1, 2, 3; do alto para baixo, coluna da direita: pontos 4, 5, 6.
As diferentes
combinações desses seis pontos permitem a formação de sessenta e três
símbolos Braille. As dez primeiras letras do alfabeto são formadas pelas
diversas combinações possíveis dos quatro pontos superiores (1-2-4-5); as
dez letras seguintes são as combinações das dez primeiras letras,
acrescidas do ponto 3 e formam a segunda linha de sinais. A terceira linha
é formada pelo acréscimo dos pontos 3 e 6 às combinações da primeira
linha.
Os símbolos da primeira linha são as dez primeiras letras do
alfabeto latino (a-j). Esses mesmos sinais, na mesma ordem, assumem as
características dos valores numéricos 1-0, quando precedidos do sinal de
número, formado pelos pontos 3-4-5-6.
No ocidente, vinte e seis sinais são utilizados para o alfabeto;
dez para os sinais internacionais de pontuação, que correspondem aos dez
símbolos da quinta linha, localizados na parte inferior da cela Braille
(pontos 2-3-5-6). Os vinte e sete sinais restantes são destinados às
necessidades específicas de cada língua (letras acentuadas, por exemplo) e
para abreviaturas.
Doze anos após a invenção desse sistema, Louis Braille acrescentou
a letra "w" ao décimo sinal da quarta linha para atender às necessidades
da língua inglesa.
O Sistema Braille é utilizado por extenso, isto é, escrevendo-se a
palavra letra por letra, ou de forma abreviada, adotando-se códigos
especiais de abreviaturas para cada língua ou grupo lingüístico. O Braille
por extenso é denominado grau 1. O grau 2 é a forma empregada para
representar, de maneira abreviada, as conjunções, preposições, pronomes,
prefixos, sufixos, grupos de letras que são comumente encontradas nas
palavras de uso corrente.
A principal razão do emprego da forma abreviada é reduzir o volume
dos livros em Braille e permitir o maior rendimento na leitura e na
escrita. Uma série de abreviaturas mais complexas forma o grau 3, que
necessita de um conhecimento profundo da língua, uma boa memória e uma
sensibilidade tátil muito desenvolvida por parte do leitor cego.
O tato é também um fator decisivo na capacidade de utilização do
Braille.
O Sistema Braille aplica-se à estenografia, à música e às notações
científicas em geral, através da utilização das sessenta e três
combinações para códigos especiais.
O Sistema Braille permite uma forma de escrita eminentemente
prática. A pessoa cega pode satisfazer o seu desejo de comunicação.
Abre-lhe os caminhos do conhecimento literário, científico e musical,
permitindo-lhe, ainda, a possibilidade de manter uma correspondência
pessoal e a ampliação de suas atividades profissionais.
COMO O BRAILLE É LIDO?
A maioria dos
leitores cegos lêem preferencialmente com a ponta do dedo indicador de uma
das mãos. Um número indeterminado de pessoas, entretanto, que não são
ambidestras em outras atividades, podem ler o Braille com as duas mãos.
Algumas pessoas utilizam o dedo médio ou anular, ao invés do indicador. Os
leitores mais experientes comumente utilizam o dedo indicador da mão
direita, com uma leve pressão sobre os pontos em relevo, o que lhes
permite uma ótima percepção, identificação e discriminação dos símbolos
Braille.
Este fato acontece somente através da estimulação consecutiva dos
dedos pelos pontos em relevo. Essa estimulação ocorre muito mais quando se
movimenta a mão ou mãos sobre cada linha escrita num movimento da esquerda
para a direita. Alguns leitores são capazes de ler cento e vinte e cinco
palavras por minuto com uma só mão. Alguns outros, que lêem com as duas
mãos, conseguem dobrar a sua velocidade de leitura, atingindo duzentas e
cinqüenta palavras por minuto.
Em geral, a média atingida pela maioria de leitores é de cento e
quatro palavras por minuto. É a simplicidade do Braille que permite essa
velocidade de leitura. Os pontos em relevo permitem a compreensão
instantânea das letras como um todo, uma função indispensável ao processo
da leitura.
Para a leitura tátil corrente, os pontos em relevo devem obedecer
às medidas padrão e a dimensão da cela Braille deve corresponder à unidade
perceptual tátil da ponta dos dedos. Todos os caracteres devem possuir a
mesma dimensão, obedecendo aos espaçamentos regulares entre as letras e
entre as linhas. A posição de leitura deve ser confortável, de modo a que
as mãos dos leitores fiquem ligeiramente abaixo de seus cotovelos. |